-*
- Vota aqui. – Ele gritava correndo atrás de mim.
- Você nunca vai me pegar. –Subi em cima do sofá e mostrei a
língua pra ele.
- Nunca duvide de seu irmão. – Ele me pegou pelas pernas e
me levou pro quarto dele enquanto eu me debatia.
-Me solta, eu vou cair. – Dei leves socos nele mais foram em
vão.
Ele me jogou na cama
e começou a fazer cosquina sem parar, ficamos nisso um bom tempo até que deita
do meu lado com o rosto vermelho de tanto rir das caretas.
- Eu vou sentir falta disso.
-Maninho vão ser alguns anos. – Ele me olhou confuso. - É
isso não pegou bem, mais veja pelo lado bom... – Ele me olhou de novo, dessa
vez com uma careta. – É também não tem lado bom, mais são meus estudos, você
não quer ver sua maninha na faculdade?
- Quero, mais tem que ser logo lá do outro lado do mundo? –
Ele choramingou.
- Mano, é em Londres, não é tão longe assim, você pode ir me
visitar quando quiser.
- Vou sentir sua falta, essa casa vai ficar bem desanimada
sem você.
- Olha quem fala o garoto que traz uma garota por dia aqui
em casa, e ainda diz “to apaixonado”. – Ri sarcasticamente e ele bufou.
- Nem é assim, são minhas amigas. – Ele cruzou os braços.
- Eu tenho amigas, você não, elas só querem seu dinheiro,
mano, você troca de mulher como troca de meia.
- Mais o assunto não é esse, como você consegue me enrolar
desse jeito menina?
- Aprendi com o melhor, mais se você quiser voltar nesse
assunto novamente, bom, eu vou sentir sua falta e você a minha mais não vamos
morrer por causa disso, então me ajuda a colocar minha mala lá em baixo que meu
vôo vai sair daqui a pouco. – Levantei da cama e fiquei encarando aqueles olhos
azuis.
- Ta bom, mais me promete uma coisa?
- Depende, mais pode falar.
- Você nunca vai me esquecer, independente do que acontecer
lá?
- Claro você é meu único irmão.
- Promete mesmo?
- Prometo, agora vamos que eu ainda tenho que tomar banho. –
Sai do quarto dele e fui pro meu.
Peguei minha roupa
no closet e entrei no banheiro, e fui tomar banho, demorei mais do que devia,
sai correndo do chuveiro e coloquei minha roupa, percebi que ele já tinha
levado minhas malas lá pra baixo, coloquei meu tênis e desci correndo, ele tava
sentada no sofá vendo bob esponja, ver se pode um garoto de quase 20 anos
assistindo bob esponja, joguei minha toalha na cadeira que tinha perto da
escada e cutuquei-o, o mesmo se virou e levantou com uma carinha triste, nos
sabíamos que não iria ser fácil, mais uma hora isso iria acontecer desde que
nossos pais morreram nunca mais nos separamos, mais sabíamos que esse dia iria
chegar, passei minha mão no seu rosto e ele abriu um sorriso, olhei meu relógio
e eu já tava mais que atrasada, peguei minha mochila que tava no sofá e ele pegou
as outras duas malas, eu peguei um controle pequeno que tava em cima da mesa e
abri a garagem, segui ele, o mesmo colocou minhas malas no porta-malas e eu
entrei no carro, ele entrou logo em seguida, o mesmo deu partida e nos seguimos
pro aeroporto.
(...)
Chegamos ao aeroporto
e já haviam chamado meu vôo, mais um motivo pra despedida ser rápida. Seguimos
ao check-in, era a hora da despedida, não agüentaria ficar longe dele, mais era
pra seguir meu sonho, ele precisa entender. Ele me deu um abraço forte e logo
me soltou, ele não era bom em despedidas, ele me deu um beijo na testa e logo
percebi que ele estava com os olhos vermelhos e marejados, ele piscou e uma
lagrima caiu, sorri pra ele que logo falou.
- Se eu falar que caiu um cisco no meu olho vai ficar muito
clichê?
- Acho que sim, vem cá. – Puxei ele pra um abraço.
Logo ouvi a moça
chamar o numero do meu vôo.
“Ultima chamada para o vôo 139 destino Londres, portão
numero cinco.”
Soltei-me dele e peguei minha mochila e fui em direção ao
portão cinco, olhei pra trás e ele estava chorando, meu coração se partiu com a
cena, continuei andando em direção ao avião, me virei mais uma vez e ele havia
sumido, nem ele agüentou ficar me olhando partir, entrei no avião e procurei
minha poltrona, era a numero 14, era na janela, e pelo que me parecia eu
estaria sozinha, coloquei minha mochila no bagageiro e me sentei, demorou
alguns minutos pro avião decolar, senti minha calça vibrar, tinha uma mensagem
do Caio.
“Vou sentir saudades da minha bolacha.
-
Caio”
Não respondi, apenas
observei a mensagem até a aeromoça saiu da cabine do piloto e falar.
- Senhores passageiros,
desliguem seus telefones celulares e qualquer outro aparelho de comunicação. –
Ela retornou a cabine.
Encostei minha cabeça no
vidro e fiquei observando o avião decolar, depois de alguns minutos adormeci.
(...)
Continua ..
Espero que tenham gostado do primeiro capitulo (:

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